As novas mídias e o rumo que elas dão ao processo de comunicação e a valorização do regionalismo da produção dos conteúdos foram destaques das Conferências Estaduais de Comunicação (Conecons) que se realizaram no último fim de semana. As etapas estaduais de Minas Gerais, Santa Catarina, Pernambuco, Tocantins e Bahia foram preparatórias para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (1ª Confecom), programada para Brasília, entre os dias 14 e 17 de dezembro, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.
Presente à Conferência Estadual de Comunicação de Minas Gerais (Conecom-MG), o presidente da Comissão Organizadora Nacional (CON), Marcelo Bechara, destacou o momento atual do Brasil em relação à banda larga. “O país se desenvolveu na conquista de infraestruturas do passado, e a banda larga é uma necessidade do presente e a infovia do futuro”, comentou Bechara, destacando a proposta surgida em Minas Gerais de massificação da banda larga, que seria uma das soluções para ampliar o acesso à informação.
Outras proposições de destaque originadas da Concecom-MG foram a incorporação da educomunicação (leitura crítica dos meios) como disciplina ou como conteúdo obrigatório em todas as escolas do Brasil. Também foi proposta a criação de um curso de formação de educomunicação para capacitar profissionais que trabalham com educação. A manutenção do programa de rádio Voz do Brasil, produzido pelos três poderes, e sua permanente qualificação e aperfeiçoamento jornalístico também foi uma proposta amplamente debatida.
Em Pernambuco, a regionalização da produção deu o tom, como já acontecera em Rondônia, na semana passada. O secretário de Imprensa de Pernambuco, Evaldo Costa, também presidente da comissão organizadora da Conecom-PE, destacou o fato de várias conferências municipais terem se realizado no estado e que isso se refletiu no resultado final. “Ampliamos os limites da organização levando o debate ao interior do estado e mapeamos tendências nesse caminho”, comentou Evaldo Costa. A valorização da cultura do estado e a produção local foram destacadas por representantes dos três segmentos – sociedade civil, sociedade civil empresarial e poder público
Na Conferência Estadual de Comunicação da Bahia (Conecom-BA), Octavio Pieranti, coordenador Geral de TV e Plataformas Digitais do Ministério da Cultura e integrante da Comissão Organizadora Nacional (CON), fez questão de destacar a importância dessas discussões estaduais, que por vezes seguem rumos diferentes. Para ele, isto enriquece os debates que serão realizados na 1ª Confecom. “Essa é a proposta do evento: discutir comunicação e fazer com que não só sejam debatidos os novos parâmetros do marco regulatório, mas também entrem em pauta os problemas regionais que são a chave para a democratização dos meios de comunicação”, disse.
Na Conferência Estadual de Comunicação de Tocantins (Conecom-TO), a organização comemorou o fluxo do trabalho, acelerado pela realização de duas conferências anteriores – uma no âmbito municipal e outra, no universitário. Para Claudia Santos, membro da comissão organizadora tocantinense, isso se mostrou bastante produtivo. “Percebíamos que representantes da sociedade civil, mais especificamente, tinham dúvidas sobre o papel desta conferência. Mas com isso eles perceberam que precisam ser protagonistas no debate de políticas públicas em comunicação”, explicou.
Assim, surgiram em Tocantins propostas como a que visa a estabelecer taxação específica dos produtos audiovisuais estrangeiros com o objetivo de financiar a programação regional e local – destinando parte dos recursos a programas educativos voltados às crianças e aos adolescentes; a que pretende que os programas voltados predominantemente para anúncios de produtos (os chamados “televendas” ou “teleshoppings”) devam ser considerados como publicidade para efeito de contagem do limite de 25% das horas diárias transmitidas para este tipo de conteúdo; e o incentivo à criação e manutenção de agências de notícias regionais e locais.
Em Santa Catarina, o que chamou a atenção foi a sugestão de criação e manutenção de uma Defensoria Pública especializada em cultura digital, mídia comunitária e livre. Várias foram as propostas aprovadas por consenso nos grupos de trabalhos separados pelos três eixos temáticos: Produção de Conteúdo; Meios de distribuição; e Cidadania: direitos e deveres
Comente
Deixe um comentário